Mais uma diretamente do meu exílio!! E por falar nessa palavrinha, lembrei-me de Gonçalves Dias. Como foi preciso e autêntico em retratar sua saudade! Depois de algum tempo morando fora do meu habitat, agora, sim, que sinto na alma o que esse grande poeta também sentia.É como se estivéssemos seqüestrados e enclausurado em algum cativeiro.Que drámatico parece, mas é assim mesmo o que sentimos. Em homenagem à ele, à todos que estão longe de suas casas e à mim mesmo,é claro, declamo,virtualmente, a Canção do Exílio:
"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá."
